Para inaugurar esta coluna semanal de nome inusitado, escolhi como primeiro colaborador José Antônio
Em ano eleitoral, jabuti vira canoa ou, como preferir, jacaré nada de costas. A oposição tenta desesperadamente se reaproximar das bases eleitorais, e para isso utiliza-se hipocritamente do discurso da ética. A grande imprensa, a exemplo de parte da sociedade civil, se inclina, ora para direita, ora para o centro-esquerda. Tenta-se formar opiniões que nem sempre são condizentes com o postulado do Estado Democrático de Direito (acreditam ser coisa só de juristas).
Observando os jornais percebo que a mídia na última semana tem dado demasiado destaque ao deputado cassado Roberto Jefferson. Utilizam-no como um oráculo, onde os enigmas éticos serão desvendados, sem quaisquer pré-questionamentos e lembranças de sua atuação pretérita. Proveitosamente o colocam no pedestal dos virtuosos. Cabe perguntar: que interesse há por traz das insinuações do ex-deputado? As quais ganham eco graças à divulgação excessiva por parte da grande imprensa.
Também se sabe, e esse destaque é estranhamente omitido na reportagem dada pelo Sr. Roberto Jefferson ao jornal “O Dia”, que o ex-deputado José Dirceu já fora excluído do governo e do Partido dos Trabalhadores.
O fato de o ex-deputado viajar de jatinho para um encontro político e quem pagou sua conta, merece notícia, quanto a isso não resta dúvida. Dirceu é suspeito (ainda não foi absolvido nem condenado pela instância própria) de ter adotado as repudiadas práticas levadas a efeito por Jefferson, que acumula papéis de “denunciado” e “denunciador”.
Observam-se pelas movimentações dos ex-deputados, ambos sem partido, grandes possibilidades de que estejam a serviço de candidaturas do PMDB. Pelo menos é o que se intui do episódio do jatinho, e da entrevista.
Neste momento parte da grande imprensa aproveita-se do vozeirão do Sr. Roberto Jefferson, não para o canto lírico, mas para intrigas. Maliciosamente cria-se um clima estranho com uma entrevista que mistura informações não comprovadas, com denúncias descabidas para notoriamente comprometer o Ministro da Justiça e por tabela desestabilizar o Governo Lula.
Há pouco mais de dois mil anos, Jesus Cristo deixou um ensinamento formidável, revelado na expressão “a César o que é de César, a Deus o que é de Deus”. Tal ensinamento cristão parece ter sido esquecido pela imprensa, que deve informar procurando ser a mais eqüidistante ideologicamente possível do fato, objeto da informação, exceto, por óbvio em editoriais que expressam a opinião do veículo, que representa os interesses, inclusive ideológico, dos editores e do proprietário do Jornal.
A informação truncada, passional e que serve de interesse imediato de determinado grupo é antiética e inaceitável, pois, ao contrário de formar opinião, a manipula.
Para concluir este ensaio cito a sábia frase do escritor russo Fiódor Dostoievski: “ainda que me provassem que Jesus não estava com a verdade, eu ficaria com Jesus”.
*advogado na cidade do Rio de Janeiro.

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