Quinta-feira, Maio 25, 2006

A Triste história do homem que perdeu a esperança

Era madrugada, mais uma vez nosso herói acordara. Levantara da cama e fora ao banheiro. Urinara sem nem mesmo se dar ao trabalho de acender as luzes, ao lavar as mãos na pia olhara para o espelho e prestara atenção ao seu rosto que, naquele escuro, ostentava uma palidez mórbida digna do último filme de Tim Burton. Do fundo de seus olhos refletidos podia-se claramente perceber a desilusão daquele homem com a raça humana.

Por mais que tentasse, ele não conseguia compreender a sociedade em que vivia. Rechaçava do fundo de seu peito toda a hipocrisia, a desigualdade, as contradições, os valores invertidos, tentava em vão compreender o incompreensível.

Sabia que o patrimônio valia mais do que uma vida, mas apesar de saber não conseguia aceitar. Sabia e tinha vivência para perceber as muitas condutas reprováveis de pessoas supostamente idôneas em acontecimentos cotidianos. E cada pequena corrupção que percebia sentia fundo em seu peito, como se sua dor representasse de certa forma a morte lenta e agonizante de toda a sociedade.

De dentro daqueles olhos o sofrimento emanava com uma claridade de um refletor. Em um devaneio de um segundo todo o peso do mundo se encontrava naquele olhar. Nosso herói sabia que a natureza humana sempre foi e sempre será essa e sabia também que a sociedade fraterna com que sonha nunca se realizará. Com tanta dor e tantas certezas ele não teve dúvidas. Esqueceu de seu próprio olhar e voltou a dormir.

1 comentários:

Bernardo disse...

Realmente, ao parar um pouco e olhar ao nosso redor muitas perguntas e indagações vêm a nossa cabeça. Outro dia também parei pra tentar entender, buscar maneiras de melhorar um pouco esse mundo que vivemos (e ajudamos a construir) mas tamanha é minha descrença com tudo que vejo que nao consigo nem sequer imaginar nada melhor. Depois da viagem que fiz, vi que ainda existe respeito, segurança, emprego e condições de se viver bem nesse mundo. Mas também vi que o Brasil é um país de gente boa, amiga, sem racismos(comparado a que vi), e talvez por isso consigamos viver em meio a todo esse caos.

Beijos!!!