Quantas vidas serão necessárias para que esta guerra insana termine? Sempre que alguém famoso morre brutalmente a violência entra
Eu não costumo neste espaço comentar acontecimentos cotidianos, porém a morte do guitarrista Nettinho da banda “Detonautas” me impressionou bastante. Infelizmente já estou acostumado a ouvir relatos de assassinatos e mortes banais, porém neste caso eu tenho três motivos a mais para me comover: O primeiro é que me identifico com ele, apesar de não ser fã da banda, pois ele, como eu, negava a violência do Rio, li um relato de seu tio ao Jornal “O Globo” afirmando que Netto declarou no dia de sua morte, ou melhor, poucas horas antes de sua morte que não achava o Rio tão violento como diziam, escrevi há pouco tempo sobre isso (Manifesto Carioca); o segundo é que, conforme amigos ele era um cara muito batalhador, tranqüilo e que pregava o amor, a paz e a valorização de princípios em detrimento da excessiva valorização dos supérfluos, ouvi isso de um camarada meu que estava no momento do assalto fatal em um encontro de jovens na Igreja do Jardim Botânico que Nettinho costumava freqüentar; e a terceira, e última, é que domingo passado fui visitar uma tia que mora no Méier, ao sair de casa fiquei preso no elevador, me atrasei em meia hora, no caminho me deparei com um Astra preto abandonado no meio de uma rua movimentada, já naquele momento deduzi que pudesse ter sido um carro utilizado em algum assalto, no dia seguinte ao ler o jornal não restou nenhuma dúvida, era o carro de seus assassinos.
Desta vez a vítima foi ele, o defeito no elevador provavelmente me salvou de passar naquela rua durante um tiroteio, mas quando será a minha vez? Quando será a nossa? Até quando será possível viver nesta cidade em guerra não declarada? Cansei de negar a violência do Rio, mas também cansei de observar esta excessiva valorização do prazer imediato, e do ter, cansei de perceber os avanços desta filosofia hedonista e imediatista propagada pelo modo de vida da sociedade em que vivemos. Formam-se pessoas cada vez mais egoístas cujos umbigos são o centro do mundo, cansei de ver o homem com medo do homem, cansei da hipocrisia dos que promovem e apóiam tudo isso e não se acham responsáveis pela violência.
É difícil enxergar a luz no fim do túnel, afinal de contas o túnel foi superfaturado e não foi concluído. Enquanto continuarmos perpetuando a desigualdade e valorizando excessivamente o patrimônio, a imagem, e não cada ser em sua essência, cada humano como um irmão, com suas idéias, pensamentos, desejos e sentimentos, teremos que continuar vivendo em prisões cercadas de aparatos de segurança para acreditarmos que assim estaremos livres da guerra que mata cada vez mais pessoas nas ruas do Rio de Janeiro, do Brasil e do mundo.
Até quando vamos continuar fingindo que não percebemos o que acontece de fora de nossas fortalezas? Nós nos segregamos cada vez mais e, com isso tornaremos a situação cada vez pior. Podemos fugir de tudo, menos de nós mesmos, e reafirmo enfaticamente: Enquanto os nossos valores continuarem equivocados, de nada adiantará os mais modernos aparatos de segurança, só estaremos livres da violência quando valorizarmos em primeiro lugar o ser humano, quando nos virmos como irmãos que somos.

1 comentários:
Infelizmente essa é a nossa realidade que infelizmente eu nao consigo visualizar perspectivas de melhoras... infelizmente... =/
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