Sexta-feira, Junho 30, 2006

Viagem ao passado



Tudo aconteceu na última sexta-feira, um dia aparentemente comum. Até o momento da insólita viagem ao passado. Por volta das seis horas da tarde saí do escritório em direção à casa da minha mãe (que há pouco tempo também era a minha).

Fui andando para o Largo da Carioca, onde fica o ponto final da linha que costumava pegar antigamente, 217 (Andaraí - Carioca). Chegando lá, o ônibus estava no mesmo lugar de sempre. As pessoas eram idênticas às de outrora, menos eu, que já estava diferente.

Entrei no coletivo me sentindo um estranho no ninho, e sem perder o velho hábito que tenho, fiquei sozinho, quieto no meu canto, como se fosse invisível, observando as pessoas, suas reações, forma de vestir, gestos, pensei em determinado momento que poderia reconhecer alguém, mas não. Eram só estranhos.

O ônibus deu a partida, passei a olhar pelas janelas, e em vez de enxergar a paisagem fui me perdendo no longo caminho de lembranças que vai do centro à Zona Norte. As recordações, como em um livro, ou melhor, como em uma agenda, vieram em ordem cronológica.

Passando ainda pela Central, comecei a voltar à infância, recordei as várias brincadeiras com meus amigos: pique-pega, pique-esconde, quantos piques... Polícia e ladrão, carrinho, bolinhas de gude, taco e muitas outras daquele tempo sem preocupações.

Lembrei dos bobos medos da infância, como a lenda da “loira da escada”, das brigas que tinha com os moleques maiores que eu, e da ameaça constante de broncas dos meus pais, levando em conta que eu estava sempre aprontando alguma.

Pensei também na bicicleta vermelha que tinha, nela pedalava por toda a vizinhança, e com a imaginação que só uma criança pode ter, a bicicleta colorada se transformava em carros, ônibus e até foguetes, dependendo do dia e de minha inspiração eu podia ser desde um motorista de caminhão a um astronauta.

As lembranças, com o passar do caminho, afloraram numa onda sem volta, um verdadeiro tsunami de passado. Pensei no colégio onde estudei no primário. Como era enorme, tinha campo de futebol, ginásio, piscina, mini-zoológico, tobogã!!! Isso mesmo um colégio com tobogã!!! E tudo isso dentro da floresta da tijuca. Uma linda escola onde qualquer garoto gostaria de ter estudado, e eu, naquela época, como uma criança criativa que era, acreditava piamente que naquele enorme lugar cheio de passado encontraria tesouros escondidos (o único tesouro que achei, anos depois, foram recordações que tenho de lá).

O ônibus, que me levava ao passado não respeitou a imensidão de lembranças que tenho e de certa forma foi mais rápido que elas, pois são tantas, que encheriam inúmeras páginas em branco com escritos que provavelmente só interessariam a mim.

Em um breve momento de lucidez percebi que já estava passando pela Rua Amaral, onde ficava o colégio que estudei até a oitava série. Este era muito diferente do anterior, era composto por dois prédios que mal tinham canteiros, imagine se teria uma floresta... Tobogã então... Nem pensar...

No início não achei muita graça ter de mudar, mas meus pais alegaram que no novo colégio o ensino era mais forte (o que isso interessa a uma criança de 11 anos? Eu queria mesmo era brincar no tobogã...). Lembro de alguns bons momentos nesta escola, mas não foram meus anos mais felizes.

Durante esta época, na escola de concreto, comecei a entrar na puberdade, aquele período de brincadeiras e medos infantis começou a desaparecer, foi gradativamente dando lugar a passatempos diferentes, os piques e carrinhos começaram a conviver com a brincadeira de salada-mista e com as festinhas regadas a refrigerante, onde passei a olhar as meninas de uma forma diferente. Minha voz começou a engrossar, pêlos a nascer, e os hormônios foram mudando meus interesses.

De repente voltei ao presente, o ônibus havia chegado à Rua Barão de Mesquita, já era hora de saltar, as lembranças da adolescência ficaram para outro dia, lamentei como nunca a proximidade do Andaraí com o Centro.

Entrei no prédio da minha mãe ainda pensando na viagem que fiz ao passado. No elevador cheguei à conclusão que cada rua, cada esquina dessas que me trás uma lembrança é, de certa forma, minha cúmplice, e de suma importância em minha vida, em meu crescimento, e por mais que eu me mude para diversos lugares, ou rode o mundo, sempre saberei quanto o Andaraí, com meus amigos, meus colégios e agora minhas recordações, foi importante em minha formação.

Saí do elevador e vi minha mãe a me esperar, sem dizer nada a abracei. E em silêncio agradeci a ela pela infância que, juntamente com o bairro, ela me proporcionou.

Terça-feira, Junho 27, 2006

Cine Reflexões

Para a grandiosa e triunfante volta do "Cine Reflexões", após longo e tenebroso inverno, selecionei o curta “Mentira”, baseado em conto homônimo de Luiz Fernando Veríssimo. Dirigido por Flávia Moraes o filme recebeu menção honrosa no Festival de Nova Iorque de 1990.

Sinopse: Um marido pacato e fiel percebe que uma mentira cabeluda pode ser mais segura que a verdade inocente.

Clique aqui para assistir ao filme

Sábado, Junho 24, 2006

Complexo de "vira-latas"

Acabou a 1ª fase da Copa do Mundo. A seleção brasileira ganhou os três primeiros jogos e não encontrou nenhuma dificuldade para o feito, apesar disso, a crônica esportiva em geral não se viu satisfeita com os resultados. O time foi hostilizado e alguns jogadores mais ainda. Vozes pessimistas, descontentes com o desempenho canarinho se levantam e bradam o apocalipse da eliminação precoce. O Brasil, veja só, o Brasil, ou pelo menos parte da imprensa, teme Gana. A estreante em Copas, e desconhecida Gana!!! Este é o momento adequado para publicar a crônica “O mais belo futebol do mundo” de Nelson Rodrigues, e mostrar que desde muito tempo sofremos do “complexo de vira-latas”.

O Mais belo futebol do mundo.

Em 58, na véspera de Brasil X Rússia, entrei na redação. Tiro o paletó, arregaço as mangas e pergunto a um companheiro – Quem ganha amanhã? Vira-se para mim, mascando um pau de fósforo. Responde: - “Ganha a Rússia porque brasileiro não tem caráter”.

Eis a opinião de brasileiros sobre outros brasileiros: - não temos caráter. Se ele fosse mais compassivo diria: - “O Brasileiro é um mau-caráter”. Vocês entenderam? O mau caráter tem caráter, mau embora, mas tem. Ao passo que, segundo meu colega, o brasileiro não tem nenhum. Pois bem. No dia seguinte há o jogo, e no seu primeiro lance Garrincha sai driblando os russos e quase entra com bola e tudo.

Vejam: - Diante do Brasil, a Rússia perdeu antes da luta. Bastou um momento Mané para liquidá-la. Mas o que ainda me espanta é a frase do companheiro: - “O brasileiro não tem caráter” Essa falta de auto-estima tem sido a vergonha, sim, tem sido a desventura de todo um povo.

Ganhamos 58, ganhamos 62. Depois da Suécia e do Chile, seria normal que retocássemos um pouco nossa imagem. Mas há os recalcitrantes. Outro dia um colega puxou-me para o canto. Olha para os lados e cochicha: - “Não somos os melhores”. E repetiu com olho rútilo e lábio trêmulo: “Não somos os melhores”. E por todas as esquinas e todos os botecos há patrícios vendendo impotência e frustração.

Quando o escrete partiu para o México levando vaias jamais cicatrizadas, vários jornais, fizeram um sinistra impostura. A seleção ia para a guerra. Uma Copa é uma guerra de foice no escuro. Mas parte de nossa imprensa pois a boca no mundo:

- “Humildade, humildade!” Eu pergunto: - O que é o brasileiro?

O que tem sido o brasileiro desde Pero Vaz Caminha? Vamos confessar a límpida exata singela verdade histórica: - O brasileiro é um pau-de-arara

Vamos imaginar esse pau de arara na beira da estrada. Que faz ele? Lambe uma rapadura. E além de lamber a rapadura? Raspa, com infinito deleite a sua sarna bíblica

E súbito encosta uma Mercedez branca, diáfana, nupcial, o cronista esportivo que a dirige incita o pau-de-arara: “Seja humilde, rapaz, seja humilde!” Vocês percebem a monstruosidade?

[...] Estou dizendo tudo isso na véspera, exatamente na véspera, de Brasil X Itália. É a finalíssima. Vejam vocês: - o escrete negado não três vezes, mas mil vezes – foi vencendo seus adversários um por um, não deixando pedra sobre pedra.

[...] Apenas 24 horas nos separam da finalíssima. Quem jogará por nós é o melhor escrete da Copa. Enquanto s outros dão botinadas o brasileiro faz a arte que os “entendidos” negam e renegam. Vocês devem ter visto, ontem, o tape de Inglaterra X Alemanha. O campo era varrido de correrias irracionais. Vale tudo, do gogó párea cima. Vinte e dois homens e mais o juiz e mas os bandeirinhas e aquela fauna triste de patadas.

Que falso futebol, que anti-futebol. Amanhã sim, amanhã o mais belo futebol do mundo jogará contra a Itália e quando acabar o jogo vocês verão subir o nome do Brasil como um formidável berro em flor.

Sexta-feira, Junho 23, 2006

Quando a partida nos surpreende...

Alguns povos indígenas acreditam que se forem fotografados, gravados, ou filmados, perderão uma parte de suas almas, determinada corrente científica afirma que começamos a morrer a partir do dia em que nascemos.

Creio na naturalidade da morte gradual, aquela que nos persegue desde o primeiro dia de nossa vida, ao tirarem fotos minhas não estarão roubando meu espírito, mas na dita imagem terão uma pequena parte de mim, e que será tão imortal quanto minha alma.

O supostamente natural é que a morte venha em doses homeopáticas, e todos nós nos imaginamos morrendo velhinhos já aposentados, com netos, bisnetos, reclamando de nossas doenças e lembrando saudosamente da vida passada, porém algumas vezes a morte nos surpreende e bate a porta antes do esperado.

Nessas vezes, suponho que a morte surpresa seja como a de uma estrela, que mesmo apagada demora dezenas de anos para desaparecer do céu. A pessoa que se vai repentinamente não pára tão cedo de brilhar em nossa memória. Valeu Orlando, meu camarada alvinegro, sua estrela solitária reluzirá muito tempo entre nós.

Quarta-feira, Junho 21, 2006

100 anos de leitura

Este texto está longe de ser uma resenha literária, ou melhor, ele está longe de ser qualquer coisa, não passa de uma caixa ressoadora dos meus devaneios, e não tem nenhuma presunção de ser nada além.

Apesar disso esta semana vou me atrever a escrever sobre literatura, ou pelo menos tentar escrever, pois nenhum outro tema vem a minha cabeça. Estou extremamente impressionado com a altíssima capacidade criadora de Gabriel Garcia Márquez. Eu já havia lido anteriormente seu livro “Crônica de uma morte anunciada”, mas não encontrei na obra a genialidade de que tanto ouvi falar.

Lendo agora “100 anos de solidão”, obra-prima do autor vencedor do Nobel, eu sinto vontade de gritar Gênio! Gênio! a cada frase do livro. A história passa em “Marcondo”, cidade fantasiosa, onde o escritor colombiano consegue criar um ambiente fabuloso que ao mesmo tempo contém um realismo brutal.

A cidade fictícia, em um pequeno período de tempo, passa por muitas etapas do desenvolvimento das sociedades ocidentais, em particular latino americanas, “Marcondo”, em um curto intervalo, presencia a chegada da religião, do Estado, da política, de guerras, alcança o progresso, assiste ao declínio, e pelos olhos do autor retrata tudo de positivo e negativo que cada uma destas mudanças acarreta.

Fundadora de “Marcondo”, a família “Buendia” é protagonista do livro. Em suas muitas gerações, têm representados os mais diferentes tipos de pessoas (diferentes porém iguais de certa forma), a descrição de cada “Buendia” feita por Gabriel Garcia Márquez retrata virtudes e defeitos que encontramos em cada um de nós.

O autor escreve um livro com uma “realidade-fantástica” e analisa o comportamento humano e a “evolução” da sociedade de uma forma inundada de realismo metafórico.

Os anos passam, e de certa forma, em tempos diferentes, os fatos se repetem, aparentemente mudam, mas continuam iguais, como o movimento de rotação da terra, ou de um relógio de ponteiro. A história de “Marcondo” e dos “Buendia” se confunde com a história do desenvolvimento da América Latina, de toda sociedade ocidental, e vai muito além. E tudo isso com uma forma única e maravilhosa que Gabriel Garcia Márquez tem de escrever.

Por falta de expressões adequadas para continuar os elogios ao livro me resumo a afirmar categoricamente que se eu pudesse escolher somente um livro para ler em minha vida, este seria “100 anos de solidão”.

Terça-feira, Junho 13, 2006

Copa 2006 amanhã é o dia

Atenção: Esclareço que este não é um texto de reflexões, conforme o título do blog. É somente um texto de mais um Brasileiro e torcedor fanático que durante a copa tira umas férias dos inúmeros problemas do Brasil para torcer por nossa seleção. Vamos Brasil!!! Rumo ao Hexa!!!

Hoje é a estréia do Brasil na copa do mundo da Alemanha, a expectativa da é grande. A mídia fez um bom trabalho e o espírito do brasileiro já está devidamente preparado. Mais uma vez, como acontece de quatro em quatro anos, alvorece na nossa alma o patriotismo e o ufanismo.

Bandeiras nacionais são vistas em todas as partes, do norte ao sul do país, do campo à cidade, dos morros e periferias às áreas mais nobres, O comercio se aquece com a venda de camisas, bandeiras, bandanas, bonés, cornetas, buzinas, e demais produtos temáticos para torcedores entusiasmados. A publicidade gira em torno da copa, nos outdoors, painéis, rádios, e televisões, a maioria das propagandas são referentes ao futebol verde e amarelo.

Nos dias de jogos do escrete canarinho as repartições públicas fecham mais cedo, a maior parte das empresas privadas idem, as escolas suspendem as aulas, e quase todos os brasileiros são liberados de seus compromissos para assistir aos jogos em casa, no bar, no clube, em churrasco com amigos, enfim, onde preferirem, menos no trabalho...

Não resta a menor dúvida, toda a pátria veste as chuteiras e os 180 milhões de técnicos estarão logo mais, às 4 da tarde, torcendo, xingando, se emocionando, e claro dando seus palpites táticos e de arbitragem em frente à TV. O mundo pára durante os 90 minutos em que a seleção está em campo, e cada brasileiro, de sua forma, estará torcendo pelo mesmo objetivo, pelo sucesso de nossa seleção, e que seleção!!! Sem dúvidas a melhor do mundo!!!

Dida, Rogério Ceni, Julio César, Cafu, Cicinho, Roberto Carlos, Gilberto, Cris, Lúcio, Juan, Luisão, Emerson, Zé Roberto, Gilberto Silva, Mineiro, Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Ricardinho, Julinho Pernambucano, Ronaldo, Adriano, Robinho e Fred, não permitem que sejamos pessimistas, esta seleção, sem dúvidas é a melhor dos últimos anos!!!

O que nos resta agora é esperar mais algumas horas e conferir o resultado do jogo. Para quem sabe, eu possa postar daqui há algumas semanas um texto sobre o brilhante desempenho do Brasil na copa. Boa sorte Brasil!!!

Obs: Os flamenguistas que me perdoem... mas o Zico em copas hein... que pezinho frio.

Terça-feira, Junho 06, 2006

Mais uma vítima

Quantas vidas serão necessárias para que esta guerra insana termine? Sempre que alguém famoso morre brutalmente a violência entra em voga. Os jornais cobrem com amplitude o drama familiar ocasionado pela morte precoce ou inesperada, enquanto isso, nos morros e nos subúrbios da cidade diversas desgraças semelhantes ocorrem por dia. É difícil viver em uma metrópole com estatísticas de homicídio comparáveis as de uma guerra.

Eu não costumo neste espaço comentar acontecimentos cotidianos, porém a morte do guitarrista Nettinho da banda “Detonautas” me impressionou bastante. Infelizmente já estou acostumado a ouvir relatos de assassinatos e mortes banais, porém neste caso eu tenho três motivos a mais para me comover: O primeiro é que me identifico com ele, apesar de não ser fã da banda, pois ele, como eu, negava a violência do Rio, li um relato de seu tio ao Jornal “O Globo” afirmando que Netto declarou no dia de sua morte, ou melhor, poucas horas antes de sua morte que não achava o Rio tão violento como diziam, escrevi há pouco tempo sobre isso (Manifesto Carioca); o segundo é que, conforme amigos ele era um cara muito batalhador, tranqüilo e que pregava o amor, a paz e a valorização de princípios em detrimento da excessiva valorização dos supérfluos, ouvi isso de um camarada meu que estava no momento do assalto fatal em um encontro de jovens na Igreja do Jardim Botânico que Nettinho costumava freqüentar; e a terceira, e última, é que domingo passado fui visitar uma tia que mora no Méier, ao sair de casa fiquei preso no elevador, me atrasei em meia hora, no caminho me deparei com um Astra preto abandonado no meio de uma rua movimentada, já naquele momento deduzi que pudesse ter sido um carro utilizado em algum assalto, no dia seguinte ao ler o jornal não restou nenhuma dúvida, era o carro de seus assassinos.

Desta vez a vítima foi ele, o defeito no elevador provavelmente me salvou de passar naquela rua durante um tiroteio, mas quando será a minha vez? Quando será a nossa? Até quando será possível viver nesta cidade em guerra não declarada? Cansei de negar a violência do Rio, mas também cansei de observar esta excessiva valorização do prazer imediato, e do ter, cansei de perceber os avanços desta filosofia hedonista e imediatista propagada pelo modo de vida da sociedade em que vivemos. Formam-se pessoas cada vez mais egoístas cujos umbigos são o centro do mundo, cansei de ver o homem com medo do homem, cansei da hipocrisia dos que promovem e apóiam tudo isso e não se acham responsáveis pela violência.

É difícil enxergar a luz no fim do túnel, afinal de contas o túnel foi superfaturado e não foi concluído. Enquanto continuarmos perpetuando a desigualdade e valorizando excessivamente o patrimônio, a imagem, e não cada ser em sua essência, cada humano como um irmão, com suas idéias, pensamentos, desejos e sentimentos, teremos que continuar vivendo em prisões cercadas de aparatos de segurança para acreditarmos que assim estaremos livres da guerra que mata cada vez mais pessoas nas ruas do Rio de Janeiro, do Brasil e do mundo.

Até quando vamos continuar fingindo que não percebemos o que acontece de fora de nossas fortalezas? Nós nos segregamos cada vez mais e, com isso tornaremos a situação cada vez pior. Podemos fugir de tudo, menos de nós mesmos, e reafirmo enfaticamente: Enquanto os nossos valores continuarem equivocados, de nada adiantará os mais modernos aparatos de segurança, só estaremos livres da violência quando valorizarmos em primeiro lugar o ser humano, quando nos virmos como irmãos que somos.