Quinta-feira, Dezembro 14, 2006

Retrospectiva Reflexões 2006

O ano está no fim, eis que se passa mais um ano de nossa vida. Não sei como anda a vida de minhas duas leitoras, mas a minha está em constante mudança. E este Blog camaleão, em 2007 mudará de forma, com a finalidade a se adequar à vida de seu dono.

Antes de, realizar de fato a mudança, selecionei o que considero os melhores textos (ou os menos piores de 2006). Espero que gostem da leitura, na verdade mesmo o que espero é que leiam pelo menos algum.





Segunda-feira, Dezembro 11, 2006

Cine Reflexões


O Cine Reflexões desta semana trás o documetário de 1982 "Eh Pagu eh!". O filme conta um pouco da vida e da obra de Patrícia Galvão, a Pagu. Casada com Oswald de Andrade, participou do Movimento Antropofágico. Jornalista, escritora e tradutora, entre outras coisas, ficou presa por quase cinco anos durante a ditadura Vargas por ser militante do PCB.

"Pagu tem os olhos moles
uns olhos de fazer doer.
Bate-côco quando passa.

Coração pega a bater."

Clique aqui para assistir ao filme

Prêmios:
Melhor Curta no Festival de Brasília 1982

Melhor Roteiro de Curta no Festival de Brasília 1982
Prêmio Estímulo no Secretaria de Estado da Cultura/SP 1982

Sábado, Dezembro 02, 2006

Um dia comum(Parte Final)

A sala estava à meia luz, entrei, no fundo estava o professor. Era um homem de meia idade, bem magro, com barba preta e cabelos compridos, ele falava com uma aluna que estava ao seu lado, ela também era magra, loira, bonita. Peguei um colchonete no canto da sala, aproximei-me deles, sentei e fiquei ouvindo.

Os dois conversavam sobre os malefícios da carne vermelha, não era nada impositivo nem repressivo, somente informativo. Mesmo assim não posso negar que aquele papo não me agradou.

Mas eu estava decidido e resolvi ficar, o professor terminou seu discurso, levantou, foi até o som, colocou uma música indiana bem relaxante, com calma se sentou e nos mostrou a postura inicial, a posição de lótus. Na posição começamos a fazer exercícios de respiração, depois de concentração, em seguida começaram as práticas de posturas, e por fim, o relaxamento.

Uma hora e meia de aula se passou como se fossem cinco minutos. Após o fim do relaxamento o professor resolveu compartilhar conosco os pensamentos que vieram à sua cabeça durante a meditação, disse que se lembrou de uma poesia de Fábio Azamor*, autor desconhecido do público, mas muito citado em Blogs, e a recitou:

“É curioso observar como a vida nos oferece resposta aos mais variados questionamentos do cotidiano...
Vejamos:
A mais longa caminhada só é possível passo a passo...
O mais belo livro do mundo foi escrito letra por letra...
Os milênios se sucedem, segundo a segundo...
As mais violentas cachoeiras se formam de pequenas fontes...
A imponência do pinheiro e a beleza ipê começaram ambas na simplicidade das sementes...
Não fosse a gota e não haveria chuvas...
O mais singelo ninho se fez de pequenos gravetos e a mais bela construção não se teria efetuado senão a partir do primeiro tijolo...
As imensas dunas se compõem de minúsculos grãos de areia...
Como já refere o adágio popular, nos menores frascos se guardam as melhores fragrâncias...
É quase incrível imaginar que apenas sete notas musicais tenham dado vida à "Ave Maria", de Bach, e à "Aleluia", de Hendel...
O brilhantismo de Einstein e a ternura de Tereza de Calcutá tiveram que estagiar no período fetal, e, nem mesmo Jesus, expressão maior de Amor, dispensou a fragilidade do berço.
Assim também o mundo de paz, de harmonia e de amor com que tanto sonhamos só será construído a partir de pequenos gestos de compreensão, solidariedade, respeito, ternura, fraternidade, benevolência, indulgência e perdão, dia a dia...
Ninguém pode mudar o mundo, mas podemos mudar uma pequena parcela dele: esta parcela que chamamos de "Eu".
Não é fácil nem rápido...
Mas vale a pena tentar!”

Em seguida ele terminou a aula, saí da sala, voltei ao vestiário, tomei um banho, já eram mais de nove horas da noite e a cidade estava deserta. Caminhei pensativo até o ponto de ônibus na Av. Rio Branco, no caminho só restavam os moradores de rua, esperei um pouco e peguei o ônibus, meia hora depois eu já estava em casa.

Em casa falei rapidamente com minha avó, esquentei um prato de bolo de batatas no microondas, jantei, e fui logo dormir, porque o dia foi cansativo e o dia seguinte iria ser mais um dia comum.

*Fábio Azamor é o autor do livro Agora é Tarde (conforme informações divulgadas pela internet)

Ps: Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com a realidade terá sido mera coincidência.